Legislativo debate a adequação da alimentação nas escolas públicas para crianças com intolerância

Vereadora do PSOL, Toinha Rocha comandou a audiência pública - Foto: Evilázio Bezerra

Vereadora do PSOL, Toinha Rocha comandou a audiência pública – Foto: Evilázio Bezerra

O auditório Ademar Arruda da Câmara Municipal de Fortaleza acolheu em audiência pública nesta terça-feira, 3, mães e familiares de crianças com intolerância e alergias alimentares, que destacaram as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia com a privação de determinados alimentos. O debate proposto pela vereadora Toinha Rocha (PSOL) teve como foco a inclusão no cardápio das escolas públicas e privadas alimentos que atendam os alunos com intolerância.

Segundo Toinha Rocha o momento é uma grande oportunidade de ouvir o que os pais sofrem diariamente com esse tipo de problema, dentre os caos mais comuns temos a intolerância a lactose e ao glúten. “Queremos que Fortaleza assuma a responsabilidade para com as crianças que sofrem de alergias e a intolerância. O nosso objetivo é fazer alguns encaminhamentos para melhorar essa problemática”, destacou. Toinha Rocha também se colocou a disposição para intermediar um dialogo com as Secretarias municipais, que em conjunto com uma comissão de mães, levará as demandas apresentadas na audiência.

Uma das dificuldades destacada pelas mães é escolas que o acolhessem crianças com intolerância, pois, segundo relatos, as instituições dizem ser inviável uma alimentação direcionada. Para a nutricionista da Creche Escola Tia Léa, Alessandra Pereira, é uma realidade essas dificuldades dentro das escolas, por causa das responsabilidades que a escola tem a partir do momento que recebe uma criança que demande necessidades especiais. Alessandra ressalta que não é uma questão apenas de boa vontade, e sim de estruturação. “Pensando nisso, a nossa instituição está estruturando uma área especifica e a profissionalização dos manipuladores, para que as refeições possam ser feitas de uma maneira adequada para as crianças com essas doenças”, ressaltou.

A representante da Associação Cearense de Portadores de Doenças Genéticas, Mônica Aderaldo reforçou a importância de uma mudança na visão dos gestores em relação ao atendimentos às pessoas com intolerâncias, e a necessidade da inclusão social nas escolas públicas e privadas. “Nós temos tudo para crescer nas escolas, sei que vai ser difícil e mais caro, mais tudo deve ter o primeiro passo”, apontou Mônica Aderaldo retratando o papel de políticas públicas no auxilio às pessoas com doenças genéticas.

Bruno Feitosa, assessor da Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Fortaleza, destacou o compromisso da gestão com os alunos da rede com intolerância. Com base na situação de crianças e adolescente, segundo o representante da SME, o Município na licitação da alimentação escolar para 2014, incluiu produtos sem lactose e glúten. Os alimentos fazem parte de uma ação de incremento da merenda escolar fornecida aos alunos da rede municipal, acompanhada por uma equipe de nutricionistas. Em 2013 a Prefeitura teve uma economia de 21,4% com alimentação para as escolas e os recursos foram revertidos para os produtos específicos. “Faremos o necessário para melhorar a alimentação nas escolas”, apontou Bruno Feitosa.

O debate contou a participação do vereador João Alfredo (PSOL), que reforçou a responsabilidade do Poder Público no apoio às famílias com crianças com intolerâncias, com destaque para o fornecimento de alimentação especiais; da secretária executiva do Conselho de Segurança alimentar e Nutricional do Município de Fortaleza, Rose dos Santos; da conselheira Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, Cleo Oliveira; Ana Lúcia, representando a Associação dos Celíacos do Brasil – Sessão Ceará; a ouvidora geral da Defensoria Pública do Estado, Dra. Ana Virgínia Ferreira; e Aline Saraiva, representando a Associação de Familiares e Amigos de crianças com Alergias Alimentar.