Câmara realiza Sessão Solene para a outorga da Medalha Boticário Ferreira a Audifax Rios (in memoriam)

A família de Audifax Rios recebeu a comenda das mãos do vereador Dr. Porto Foto: André Lima

A Câmara Municipal de Fortaleza realizou nesta quinta-feira (20) Sessão Solene para a outorga da Medalha Boticário Ferreira (In Memoriam) ao artista cearense Audifax Rios, A comenda teve como propositor o vereador Dr. Porto (PRTB), através do requerimento 406/2017, aprovado por unanimidade pelo Plenário da Casa Legislativa. Segundo o parlamentar, em sua justificativa, Audifax é um artista de múltiplas linguagens e expressões, que com seu legado de inestimáveis contribuições para o cenário cultural e a sociedade cearense, é merecedor do carinho e gratidão pelo conjunto da obra, seja nas artes gráficas, seja na literatura, seja na pesquisa e difusão da cultura cearense.

A Sessão foi presidida pelo vereador Doutor Porto, no ato representando o presidente do Poder Legislativo, vereador Salmito Filho (PDT). A Mesa foi composta por: Valda Morais Rios, esposa do homenageado da noite; Mario Luz Filho, presidente do Sindicato dos Fazendários do município de Fortaleza; jornalista Tarcísio Matos e o ex-secretário de Saúde de Fortaleza, Manoel Fonseca.

O vereador Dr. Porto destacou o bom humor, e a genialidade de Audifax, “Conheci o Audifax no Clube do Bode e fazia atas bem-humoradas. Era considerado um gênio. Tinha uma memória que poucas pessoas alcançam.” Ele destacou trechos dos escritos do homenageado e de como ele conheceu sua esposa, Valda, na época do flerte e onde havia o respeito à família. “Muito do que vivenciamos hoje é devido as famílias desestruturadas, que precisam de bons exemplos”.

Em seguida, ele convidou o jornalista Tarcísio Matos, que era amigo de Audifax, para também prestar sua homenagem. “Temos belíssimos artistas, mas um especial vindo de Santana, pela intensidade de sua criação, sua identidade do Ceará, e o verbo. Homem de poucas palavas, que soube jogar nos livros poesias, crônicas e cordéis com raríssima genialidade. Ele criou um almanaque ‘De Um Tudo’, e chamou os amigos para escrever e colocou retalhos de sua criação sobre o Ceará. A continuidade ficou com seu filho João Rios e Raimundo Neto. E era uma alegria muito grande participar do De Um Tudo.”

Tarcísio contou que uma vez no evento Vida e Arte, do jornal O Povo, eram quatro cronistas, ele, Aírton Monte, Audifax Rios e Demitri Túlio, “saímos do evento pensando em fazer um livro, histórias de cronistas, mas não conseguimos. Nunca ninguém produziu tanto quanto Audifax nos últimos 20 anos. Um homem que gostava de andar a pé. Eu morava na Cidade dos Funcionários e ele ia da (Rua) Gonçalves Ledo até lá em casa deixar o texto e ilustração. Um homem diferenciado, um homem generoso, um homem-bom. Ouvia como ninguém, por isso aprendia tanto. A todos muito obrigado, por essa noite memorável”.

Em nome da família de Audifax falou a filha Juliana Rios.“Audifax, meu pai, foi um homem muito simples, motivo de honra para família, amigos, para a boemia. Nas cores, formas e cronicas, ele deixou sua maneira singular de ver as coisas, Nas suas gravuras, os peixes, o mar seguiam essa mesma ordem poética. Recebemos essa homenagem in memoriam, com muita alegria, não somente em nome de Audifax, mas em nome do patrimônio material e imaterial que ele nos legou. A todos os presentes e em especial ao vereador Dr. Porto, agradecemos pela honraria”, frisou..

Em seguida falou o ex-secretário de Saúde de Fortaleza, Manoel Fonseca. Ele disse que tinha uma relação afetiva com Audifax. “Eu o conheci, pois morou muito tempo na casa do meu sogro. Tinha uma memória privilegiada. Conhecia a história como poucos. Eu tenho a honra de ter dois livros com suas gravuras. Audifax criou uma marca, uma assinatura, que representava a nordestinidade. O último trabalho dele foi sobre Chico da Matilde, o Dragão do Mar. Sou amigo e primo de tabela, do Audifax, e muito me orgulho da pessoa humana que ele era. Falava pouco, mas sabia se comunicar como poucos. É um dos artistas mais importantes do Brasil, que será reconhecido por sua produção. É muito importante essa homenagem que o vereador Porto está prestando a um dos artistas mais importantes do país”, concluiu.

Perfil

Cearense de Santana do Acaraú, onde iniciou os estudos. Em 1962 radicou-se em Fortaleza. Trabalhou na extinta TV Ceará, em jornais e agências de propaganda. Artista plástico, fez duas dezenas de individuais (Brasília, Recife, Vaticano, Nova Canudos, Fortaleza…) e participou de inúmeras coletivas e salões onde foi premiado (Novos, Abril, Unifor). Fez capas e ilustrações para mais de 150 obras, a maioria de autores cearenses. Escreveu Bar Peixe Frito (1978), Já fez a sua fezinha hoje? (1987), Gentes da Licânia (1989), Porto dos Viventes de Aroeiras (1993) e Iracemar (1996), além de participar de diversas antologias.

Pintor, desenhista, capista, escritor, poeta, pesquisador alcançou a meta buscada por todos artistas, a identidade própria, assinatura própria e sotaque incomparável. Longa é a lista de contribuições do autor de “Os Bufalos de Campanario”. Nasceu em. 17 abril de 1946, em Santana. Venho para Fortaleza no início da década de 60. Aqui iniciou sua vida profissional. Foi autor de novelas na Antiga TV Ceará (Tupi) protagonizadas por Ary Sherloque e Emiliano Queiroz. Trabalhou em agências de publicidades. Suas obras foram apreciadas na Europa. Era colunista do caderno Vida e Arte do Jornal o Povo. Participou de várias antologias de poesias e prosas. Contribuiu com a cena literária como autor de capas de uma centena de livros, com seu traço intenso e inconfundível. Criou o “De um tudo” um coletivo de artistas, com seu desenho de traço forte e as palavras tão identificadas com o cearense. Foi colunista por 12 anos seguidos do Jornal O Povo, gravou sua marca na memória do povo cearense, por sua originalidade de estética e temática.

Fez a transição entre o sertão e cidade. Na área cidadã foi militante. Seu desenho era culto e simples, tinha capacidade de saber ouvir e congregar toda turma da cultura cearense. Sua obra era apreciada pelo escritor Ariano Suassuna, que tinha uma pintura do cearense na sua casa. Um ser incentivador, de coração generoso, não há movimento na cidade sem sua mão. Ele ficará presente na sala principal da casa de cultura do Ceará. Partiu 25 de abril de 2015, aos 69 anos. Estava em sua querida Santana, sentou-se descansou, um mal súbito o tomou. Deixou um legado e os filhos Mariana, Susana, João, Juliana e a esposa Valda, que nos trazem a lembrança viva do consagrado artista.

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Marcelo Raulino
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